Seleção Brasileira volta ao clássico com ternos Ricardo Almeida.

O estilista foi o escolhido pela CBF para criar a alfaiataria exclusiva dos jogadores e da comissão técnica para as aparições sociais da seleção na Copa.

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Traje Copa. Fonte (CBF/Reprodução)

O chamado traje passeio completo que aparece nos convites de casamento consiste em costume preto, azul-marinho ou cinza-chumbo. Se o evento for diurno, bege e cinza-claro estão liberados. Gravata é obrigatória. Se quiser dar um upgrade no visual cabe usar um lenço de bolso dobrado com a ponta para fora.

Pois é esse o Dress Code tradicionalmente adotado por muitas equipes nacionais durante os eventos de apresentação nos Mundiais de futebol.

Na Copa passada, os italianos usaram trajes azul-escuro e gravatas de seda com detalhes em vermelho, verde e branco da Dolce & Gabbana, grife que une a irreverência siciliana à elegância exibida na Via Monte Napoleone, em Milão. Desta vez, pena, não terão oportunidade de ostentar sua superioridade na vestimenta – a Azzurra não se classificou para a Copa.

Os alemães mantiveram a classe com dois looks diferentes da Hugo Boss, um terno tradicional e um conjunto mais casual: Camisa jeans, cardigã, calças bordeaux e casaco clássico azul-marinho, enquanto o técnico Joachim Low usou ternos sob medida da linha especial Boss Made to Measure.

Os ingleses, criadores do esporte bretão, estariam bem servidos com a Burberry. A marca inventou o trench coat e popularizou o xadrez tartã, mas a delegação fechou acordo com a loja popular de departamento Marks & Spencer.

Os craques vestiram ternos cinza-claro que eram vendidos depois nas lojas a 199 libras. Necessidades do mercado. Ainda assim, estavam perfeitamente alinhados.

Já nós, brasileiros… a indumentária de apresentação da nossa seleção na última Copa foi agasalho e tênis.

A Nike, patrocinadora oficial da CBF, chegou a desenvolver um conjunto de calça social e paletó de tecido tecnológico, desenhados pelo alfaiate britânico Ozwald Boateng e confeccionados na Itália, mas que acabaram não sendo usados.

Costura campeã

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O Brasil já teve até um alfaiate pé-quente. Nicola Colella, já falecido, teve durante 50 anos uma fábrica na Barra Funda, em que produzia para a própria confecção e para grifes diversas, de Bruno Minelli a Forum.

Nas Copas de 1970, 1994 e 2002, os jogadores vestiram Colella – e trouxeram o caneco. Em 2006 o encanto se quebrou. Alguns escorregões já foram dados em nome da boa aparência, como as camisas espalhafatosas e os longos casacos do Dunga.

Tite, na comparação com seu antecessor, ganha de 7 a 1. Nos jogos, está sempre de calça e paletó sob medida de Ricardo Almeida.

O mesmo Ricardo Almeida será agora o responsável por vestir a seleção brasileira na Copa da Rússia.

Não só os 23 convocados, mas toda a delegação. Com a comissão técnica, serão 63 pessoas no total, sendo três mulheres.

Entre os grandes

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No Mundial de 2014, os jogadores de Itália, Alemanha e Inglaterra usaram costumes semiprontos, apenas ajustados. Os brasileiros terão trajes feitos sob medida.

A primeira rodada de provas aconteceu nos dias 8 e 9 de outubro, em São Paulo, antes do jogo contra o Chile pelas eliminatórias da Copa. A equipe de estilo ocupou uma suíte do Hotel Tivoli. “Saía um, entrava um”, afirma Ricardo Almeida em entrevista para Revista Vip.

“Em dez horas tirei 40 medidas.” Meticuloso ao extremo, Ricardo é do tipo capaz de mandar refazer um paletó já pronto se achar que o caimento ainda pode melhorar. No caso da seleção, havia um agravante: a musculatura avantajada dos atletas. “Jogador tem um corpo bastante peculiar: muita coxa, muita bunda, cintura fina. A modelagem é diferente da que a gente oferece nas lojas.”

Uma segunda rodada de provas aconteceu na sede da CBF, em fevereiro, para a comissão técnica. No dia 22 de março Ricardo Almeida embarcou para Berlim, onde a seleção faria o amistoso contra a Alemanha na semana seguinte.

Levou com ele os moldes semiprontos, uma espécie de casca com pespontos que serve de base do paletó, para prova e últimos ajustes – e aproveitaria para tirar as medidas dos diretores técnicos que moram no exterior, como Sylvinho, o preparador físico Ricardo Rosa e o fisioterapeuta Bruno Mazziotti, e também dos novos convocados.

Os jogadores usarão um look monocromático, com paletó, calça, camisa de colarinho mais estreito e gravata super slim na cor azul.

As calças e paletós da delegação são de lã fria, composta por fios de duas cores distintas, azul royal e preto. O resultado é um tom de azul-marinho com efeito changeant, que muda conforme a incidência da luz. O forro do paletó, uma padronagem de jacquard em tom mostarda, é inspirado no construtivismo russo e homenageia as conquistas da seleção.

A comissão técnica terá camisa branca e uma gravata de largura média. O brasão estará presente nos blazers, costurado na altura do peito. Tudo bem ajustado, certinho no corpo.

 

Os acessórios também estão contemplados no projeto. O lenço de seda foi inspirado na mata tropical. Os sapatos de couro foram produzidos na fábrica do alfaiate em Franca, no interior de São Paulo. A sola é de EVA com um revestimento interno de neoprene, como se fosse uma meia.

Os cintos também de couro têm pintura manual e um degradê no marrom. As peças só serão oficialmente mostradas em maio.

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Fonte: Adaptado da Revista Vip

Por Ivan Padilla, Gabi Comis e Marcelo Orozco (Revista VIP)

Seleção Brasileira volta ao clássico com ternos Ricardo Almeida

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